Quase nada
........Há algum tempo, eu ainda tinha prazer em passar a tarde copiando em meu caderno sonetos do Vinicius. Lembro que fazia um esforço enorme pra ficar com uma letra mais romântica. Não, minha letra nunca foi romântica, parecia mesmo letra de escrever manifesto em porta de banheiro. Eu em compensação era cega e demasiadamente romântica, quase trágica eu diria. Amor pequeno que eu sentia.
........Passava ainda, algumas horas mais relendo mil vezes a cópia do poema, como se eu mesma tivesse criado, como se descrevesse exatamente o que eu sentia. Eu queria decorá-lo, sair declamando, esfregar na cara de quem eu amava. Vontade pequena que eu sentia.
........Eu lembro do sorriso no final de cada poema. Lembro das frases preferidas: “e sempre, e tanto” “morrer de amar mais do que pude.” “Maior amor nem mais estranho existe” “do momento imóvel, fez-se o drama”. Vê? Isso parece quase nada agora. Vinicius de Morais como nostalgia presente. Nostalgia pequena que eu sinto.
........Antes, pelo menos, eu queria morrer de amor. Hoje quero morrer de rir do amor que tive. Amor pequeno que eu sentia. Queria ter as pessoas para sempre de alguma forma, e deixar claro a todo instante o amor que as tinha. Vontade pequena a minha.
........Hoje não tenho amor, procuro não ter. Não é ser amarga, entende? É não ter motivos para tal. Não sei que pessoas quero pra sempre. Nostalgia de mim mesmo, não tem gosto de passado. Não tem graça ter saudade de um personagem e querer a todo custo esquecer a cena. Nostalgia, amor e vontade poucos em mim.
........Passava ainda, algumas horas mais relendo mil vezes a cópia do poema, como se eu mesma tivesse criado, como se descrevesse exatamente o que eu sentia. Eu queria decorá-lo, sair declamando, esfregar na cara de quem eu amava. Vontade pequena que eu sentia.
........Eu lembro do sorriso no final de cada poema. Lembro das frases preferidas: “e sempre, e tanto” “morrer de amar mais do que pude.” “Maior amor nem mais estranho existe” “do momento imóvel, fez-se o drama”. Vê? Isso parece quase nada agora. Vinicius de Morais como nostalgia presente. Nostalgia pequena que eu sinto.
........Antes, pelo menos, eu queria morrer de amor. Hoje quero morrer de rir do amor que tive. Amor pequeno que eu sentia. Queria ter as pessoas para sempre de alguma forma, e deixar claro a todo instante o amor que as tinha. Vontade pequena a minha.
........Hoje não tenho amor, procuro não ter. Não é ser amarga, entende? É não ter motivos para tal. Não sei que pessoas quero pra sempre. Nostalgia de mim mesmo, não tem gosto de passado. Não tem graça ter saudade de um personagem e querer a todo custo esquecer a cena. Nostalgia, amor e vontade poucos em mim.

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